domingo, 1 de abril de 2012

Special Day

Naquela semana, tinha chovido todos os dias. Uma neblina que se agarrava às coisas perdurava durante longas horas e as grossas gotas de chuva persistiam em embaciar os dias.

Momentos que gostaria que fossem de sol, resplandescente, contagiante, para acompanhar o sorriso que a vinha acompanhando nesses últimos dias. Os preparativos tinham o seu quê de mágico: detalhes sem importância que, encaixados com carinho, se revelariam em momentos de significado, inesquecíveis. Acabou por desistir de sonhar com o bom tempo e antecipou com expetativa os abençoados auspícios da chuva.

O dia nasceu radioso, para sua surpresa. Afinal, a natureza tinha decidido juntar-se ao encantamento e deixar-se descobrir no melhor de si. Os primeiros raios de sol que entravam pelas nesgas de estore entreabertas eram o sinal de partida para uma nova alvorada, uma nova vida.

Olhou-se ao espelho e percorreu com a ponta dos dedos as minúsculas peças que adornavam o vestido, pedrinhas cintilantes que pareciam ganhar vida de cada vez que rodopiava, capturando os matinais raios de sol. Formavam caminhos, cruzavam-se, encaixavam-se em cornucópias sobre aquela vastidão de branco; sobretudo, eram o espelho de uma felicidade maior, a dela, em antecipação.

Foi o primeiro dia mais feliz da sua vida. Porque estavam juntos, ali, ouvindo-se ao longe (e tão ao perto) uma emoção celestial.

Não sabia na altura que aqueles traços desenhados no vestido quase pareciam a vida que viria.
Movimentos em harmonia,  pedra por pedra, brilhantes, de pessoas que encontraram o seu sentido no outro.
Algumas missangas cairam, ficaram pelo caminho, levando a descobrir outros contornos nos desenhos que estavam e a capturar novos sóis para que tantas, tantas outras continuassem a cintilar.

E o desenho que lá estava, desde o início, foi sendo feito em dias, redescoberto, redesenhado. A cada dia feliz.

(a tantos tantos mais, até que os nossos sóis se ponham)

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