segunda-feira, 5 de março de 2012

Momento de Recomeçar

Eram já daquele tom cálido dos finais de tarde, quando os raios de sol se escondiam na expetativa de um próximo regresso e deixavam ficar uma luz que amarelecia, gasta pelos dias. As nervuras denunciavam caminhos e escolhas que, por vezes, desembocavam em parte nenhuma ou em partes tão iguais a tantas outras que a paisagem se tornava uma só, indistinta, esfumada.
À passagem de vidas corridas, cirandavam pelo ar, parecendo brincar, mas tão-somente para voltarem a cair, umas sobre as outras, num manto outonal.
O inverno tinha sido tão suave que continuavam ali, pelo chão, tal qual tinham caído das árvores, mas mais secas, mais quebradas, remexidas por tantos passos que não se desviavam e insistiam em seguir por aí.
Naquela sexta-feira, a neblina da quase noite tinha conseguido mudar o rumo daqueles que, em busca do lar, se abrigavam e deixavam a salvo as folhas quase adormecidas.
Mas, sem se saber de onde, um passo mais firme, que não se adivinhava e nunca se imaginara, avançou sobre aquele manto e, naquele momento, em cada folha, cada nervura, cada matiz outonal ouviu-se um soluço indelével, que ecoou longamente.

Mas ao longe, por entre as pedras e as folhas que ficaram, um novo rebento espreitava, tímido, ofuscado com uma luz que não conhecia,  em busca de si, do (seu) mundo e dos raios de sol. Confiante, esperançado, certo da escolha, incerto o caminho. Um novo começo.

Este é o momento de Recomeçar.
Este é um bom momento para «Recomeçares».

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