Sorria e cumprimentava,
respondia, perguntava, chamava a atenção para o que de melhor faziam. Mesmo
quando não dizia tudo, quando guardava pedaços de curiosidade para futuras
conversas, ou fazia perguntas curiosas para, no meio dos acenos, reduzir a
sensação de que a linha que seguia lhe apertava o peito.
Era tanta gente, ainda que menos
do que das outras vezes. Compenetrados, alguns sorridentes, tantos também a cumprirem o
seu papel de serem vistos, de picarem o ponto, num mundo em que não estar era
sinónimo de já não ser.
Era no meio deles que gostaria de
estar, de passar a estar. Seria tão mais fácil se tivesse tomado decisões
diferentes, se tivesse sentido antes que o seu caminho era aquele. Fosse a
preto e branco ou a cores ou independentemente da paleta cromática que fosse a
sua, era para ali que queria ir, sabia disso.
Às vezes vinham aos magotes,
quase se atropelavam, para perceber o que havia ali, o que poderiam ficar a
conhecer, o que poderiam levar, como se poderiam mostrar a todos, em todo o
lado. E as vozes sobrepunham-se, só sendo possível sorrir para alguns, enquanto
os outros se limitavam a passar, pegar nos papéis e seguir para a paragem
seguinte, onde diferentes pinguins os esperariam.
Outras vezes reinava a quietude,
e os sorrisos e acenos davam lugar a conversas, a descobertas breves, de
situações, de pessoas, que agora circulavam com mais calma, dispostas a saber
de verdade.
Era também assim a estranheza
surpreendente da vida (ou a surpresa estranha da mesma, só mudava o ponto de
vista…) – às vezes, de momentos em que não gostaria de estar, vinham palavras
simpáticas, de verdadeiro interesse pelo que fazia. E assim o dia ficava
melhor.
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